sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Doença cultural

Apesar de os números constatarem o aumento progressivo da alfabetização no Brasil, está na falta de estudos e cultura, o maior agravante dos principais problemas que assolam o país: aumento da violência, desemprego, fome e saúde. O Governo propõe um mutirão e campanhas mal-sucedidas de combate à fome, a população reclama a falta de postos de saúde e remédios com preços exorbitantes, os comerciantes se trancam em seus próprios estabelecimentos, e assim, ninguém se lembra da causa, apenas da conseqüência.
Vimos um Presidente assumir o comando do Brasil e bradar aos quatro cantos que iria acabar com a fome do país. Ora! Não se acaba com a fome sem um projeto de preparação e qualificação para o povo. Podemos até minimizar a fome de uma família necessitada, por um tempo, mas sanar este problema sem qualificação e educação, jamais. Como diz o jargão popular: “não se dá o peixe, mas se ensina a pescar”. De que adianta dar o pão hoje, se amanhã o cidadão não vai saber buscá-lo por suas próprias forças?
A violência também é uma séria conseqüência da falta de educação. Sem qualificação profissional, sem incentivo e algumas vezes sem família, o cidadão fica à mercê da sociedade pragmática e se junta a grupos de condutas anti-sociais, a fim de ter vez e voz ficando sujeito a vícios, tanto químicos quanto na facilitada forma de obtenção de dinheiro. Ao não estar preparado, sem estudo e sem cultura, não acha espaço no concorrido mercado de trabalho e com isso se junta a traficantes, na comercialização da violência. Já tenho saudades da época em que não vivi! Isso mesmo. Muitos reclamam da ditadura militar, seus conceitos e a forma de comandar a nação. Prefiro muito mais uma ditadura militar a uma ditadura de bandidos. Porque é o que estamos passando hoje. Quem manda prender, manda soltar e dá as cartas são os bandidos.
Segundo os psicólogos, a personalidade de uma pessoa é formada até os seis anos. No Brasil não há nem mesmo regulamentação para a educação infantil até os seis anos. Os jovens só entram na escola quando atingem essa idade e provavelmente já estarão com sua personalidade formada ou deformada. O investimento no Ensino Superior é louvável, mas se dá principalmente porque estes têm direito a voto. Agora, depois de décadas de retrocesso, onde era um dos únicos países com apenas onze anos de educação básica escolar, criaram o 12° ano. Até que enfim! A diferença será a nomenclatura: o antigo Pré vira a primeira série e assim sucessivamente.
Até mesmo a saúde é um derivado da terrível causa: a educação. A falta de informação contribui decisivamente no alastramento de doenças contagiosas, além disso, há as doenças psicossomáticas, as quais só conhecem, quem tem um certo grau de cultura e discernimento. As filas em postos de saúde e as emergências de hospitais públicos lotados são conseqüências da falta de instrução de uma população que parece estar na proa de um navio “Titanic”.
Que há problemas na chamada sociedade instruída, de bons estudos, bons modos e etiqueta, há! Mas em um número menor do que na sociedade marginalizada, até porque, a facilidade de se enganar alguém sem estudo e sem instrução é muito maior do que prevaricar e se corromper diante de uma sociedade distinta e orientada. Os graves problemas que há na sociedade instruída são de ordem pessoal, falta de caráter e moral, procedentes da cultura de uma nação acostumada ao “jeitinho brasileiro” de conquistar as coisas.
Se não mudar o rumo, infelizmente não projetamos também esperança para este povo calejado. Ou se dá educação e a possibilidade de se competir igualmente no mercado de trabalho e garantir uma vida digna à sua respectiva família, ou continuaremos olhando pasmos a dança da pizza nos congressos, o sucesso da Lacraia, a idolatria à nudez e as grades nos estabelecimentos dos cidadãos de bem. Temos a possibilidade de escolher e isso depende dos nossos governantes e dos formadores de opinião. Basta que estes queiram acabar com essa doença cultural e ver o povo informado e qualificado, aptos a se manifestar e discordar de forma ordeira e democrática.

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